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Artigo | Gestão da manutenção e uso de empilhadeiras

Por Antonio Pereira, consultor de segurança do trabalho no Instituto Trabalho e Vida

Para garantir agilidade e segurança nos processos de montagem e desmontagem, as empresas montadoras necessitam de equipamentos versáteis nas suas operações.

As empilhadeiras são veículos industriais destinados à movimentação, transporte e manuseio de cargas que aperfeiçoam as operações dentro dos pátios das empresas e no processo de carga e descarga junto aos estandes das feiras.

As empilhadeiras basicamente são divididas em três tipos: contrapeso com combustão interna ou elétrica, as especiais para estocagem e as manuais.  A maior parte das empilhadeiras é de combustão interna operando com vários insumos, como gasolina, diesel, gás natural comprimido e GLP.

As empilhadeiras elétricas obtém energia de grandes e pesadas baterias de chumbo-ácido e são adequadas para uso interno. São mais custosas para aquisição, comparadas às de combustão interna, contudo tem custos inferiores de manutenção e de consumo de combustíveis, além de serem silenciosas.

Contudo apesar de seu uso cada vez mais constante e versátil, são equipamentos que devem ter cuidados especiais no seu uso diário. Há muitos acidentes graves e fatais com a operação das empilhadeiras, gerados por falta de manutenção adequada, capacitação dos operadores ineficiente, sinalização incompleta ou inexistente, superfícies de trabalho irregular entre outros aspectos.

Alguns cuidados especiais devem ser tomados. Quanto ao equipamento, estes devem ser submetidos à manutenção preventiva e corretiva, na forma e periodicidade determinada pelo fabricante, conforme as normas técnicas nacionais vigentes e na falta delas, as internacionais. As manutenções preventivas devem ser registradas em livro próprio, ficha ou sistema informatizado, contendo cronograma de manutenção, intervenções realizadas, data da realização de cada intervenção, serviço realizado, peças reparadas ou substituídas, condições de segurança do equipamento, indicação conclusiva quanto às condições de segurança da máquina e o nome do responsável pela execução das intervenções, conforme estabelece a Norma Regulamentadora n.º 12 da Portaria 197 de 17 de dezembro de 2010.


Todo operador de empilhadeira deverá ser registrado, seguindo as normas CLT, na respectiva função, e sua capacitação deve ser ministrada por trabalhadores ou profissionais qualificados para este fim, com supervisão de profissional legalmente habilitado que se responsabilizará pela adequação do conteúdo, forma, carga horária, qualificação dos instrutores e avaliação dos capacitados. Como exemplo, o SENAI da unidade do Tatuapé tem esse curso com duração de 32 horas e exige como pré-requisito que o aluno tenha 18 anos de idade mínima, 4ª série do nível fundamental, além de possuir Carteira Nacional de Habilitação nas categorias B, C, D ou E.

Outro aspecto importante além de sua capacitação é estar apto nos respectivos exames médicos previstos no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, para ser um operador de empilhadeira.

O uso do cinto de segurança pelo operador, a marcação da capacidade de carga no corpo do equipamento, a instalação de retrovisores, os cuidados com a calibração dos pneus e com a troca do GLP, a sinalização de ré, o deslocamento do equipamento com os garfos levantados, dificultando a visão do operador, a proibição de dar carona aos outros trabalhadores, são apenas alguns aspectos fundamentais para que a operação de carga e descarga seja bem sucedida e segura para todos os envolvidos.  

Acidentes com tombamento do equipamento, atropelamento de terceiros e choque com outros veículos são muito comuns e devem ser evitados através da melhoria efetiva das condições do equipamento, da capacitação e do controle biológico continuada dos operadores e do conhecimento efetivo do local de trabalho.
 
 
Artigo do jornal OSindiprom-SP #10 - www.sindiprom.org.br/jornal/10/